Tinha que começar do começo. Desde a infância sou cheia de perguntas sem respostas. Vivi numa família tradicional e convencional, com pais trabalhando o tempo todo e ficava com meus avós parte do dia. Meus pais eram católicos, mas não seguiam a igreja. Meus avós eram católicos até meus dois anos; depois, por uma promessa, tornaram-se evangélicos. Vai saber por que uma pessoa faz uma promessa para mudar de religião! Aí começaram muitas dúvidas e dilemas. Ia com meus avós para um caminho, com meus pais não tinha nenhum específico. Ruim? Para mim não, e sim, ao mesmo tempo.
Até os 15, 20 anos, achava que Deus castigava. realmente, o que eu sentia por Deus, era medo. Às vezes, ainda me pergunto: Deus vai me castigar? Mas mudei muito. Já fui evangélica, espírita, católica, catecista! Ensinava aos alunos a não fazer sexo antes do casamento, não usar tatuagem. E eu fazia tudo isso. Amo tatuagem. Fiz sexo antes do casamento. Tenho dúvidas sobre a legalização do aborto, sobre a legalização da maconha. Não sei se devo e posso resolver o que a mulher deve fazer com seu corpo. Aborto é crime? Fumar maconha é errado? E cigarro, também não é droga? Bebida não é droga? Remédio não é droga? Deus condena o aborto? Mas ter o filho e jogá-lo na lata de lixo ou maltratá-lo a vida inteira. Pode? Deus condena uso de drogas. Quais drogas?
É tanta dúvida.
A principal dúvida é: eu tenho alguma coisa a ver com as escolhas de outra pessoa?
Diante de tantas perguntas, ser catequista virou só um certificado. Não posso formar ideias e conceitos de outra pessoa. Nem as minhas estão totalmente formadas, se é que um dia estarão.
No fim de tudo, agradeço por ter pais que não seguiam nenhuma religião, que não tinham dinheiro para me manter na faculdade sem que eu também trabalhasse, pais separados e, entendam bem que, separação foi difícil para a minha vida pessoal, acreditar em casamento, amor verdadeiro, muito difícil. Mas brigas o tempo todo seria muito pior para minha adolescência. Ter meus pais separados me ajudou a me tornar independente, saber que um casamento tem que durar por amor, não por conveniência. Mas também me prejudicou. Fica para outro capítulo. Mas não ser obrigada a seguir uma religião, uma profissão que eu não queria, ter que trabalhar, me ajudaram muito a crescer. Gosto do que me tornei. Isso já é uma vitória. Minha vida cheia de medos e complexos tem um alívio quando me lembro que sou honesta, verdadeira e batalhadora. Falta perder o medo de água, de dirigir, de não me realizar profissionalmente nunca, de não ter opinião formada sobre muitas coisas. Bom, melhor do que ser manipulada.
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